À Justiça, deputado aliado da família Bolsonaro afirma que Eduardo Bolsonaro entregou dossiê com nomes antifascistas aos EUA

Dossiê possui 56 páginas com dados e fotos de quase mil pessoas ligadas ao movimento antifascistas. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A existência de um dossiê informal com nomes de pessoas ligadas ao movimento antifascista foi entregue à Embaixada dos Estados Unidos pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.


A informação foi revelada em depoimento à Justiça pelo deputado estadual pelo PTB de São Paulo e principal aliado da família Bolsonaro, Douglas Garcia. Em sua oitiva, Douglas Garcia, que foi condenado na semana passada e terá que indenizar uma mulher por ter inserido seus dados em lista de pessoas, classificadas pelo deputado estadual como "terroristas".


A listagem, segundo a Justiça, teria 56 páginas com dados pessoais e fotografias de quase mil pessoas. O deputado Douglas Garcia, que em suas redes sociais pedia que lhe fossem repassadas informações com denúncias contra opositores do presidente Bolsonaro e de sua família, acrescentava essas informações na listagem entregue por Eduardo Bolsonaro à Embaixada norte-americana.


Garcia, negou à Justiça que tenha participado da elaboração e da divulgação do dossiê, mas o repasse do mesmo à autoridades foi confirmada pelo deputado. Em petição, Douglas Garcia, disse que o grupo antifas teria convocado manifestações com o objetivo de agredir apoiadores bolsonaristas, mas essa afirmação não foi comprovada pelo deputado, de acordo com a decisão proferida pelo juiz Guilherme Ferreira da Cruz, da 45ª Vara Cível Central da Capital.


Em sua decisão, o juiz afirmou ainda, que Douglas Garcia catalizou e sistematizou o dossiê e que a elaboração do mesmo não se relaciona com o exercício normal e regular do mandato de deputado estadual, cujo seu titular deveria se mostrar à sociedade de forma prudente e com equilíbrio.


O juiz lembrou de episódio em que Douglas Garcia, em vídeo divulgado em suas redes sociais, afirmou em tom de deboche que as pessoas relacionadas no dossiê seriam impedidas de visitar a Disneylândia. A entrega do dossiê à Embaixada dos Estados Unidos, pode em tese, impedir a entrada dessas pessoas com a negativa do visto, ou mesmo, a sua revogação, caso o governo norte-americano assim o queira.


Douglas Garcia foi condenado a pagar uma indenização de R$ 20 mil reais à mulher que não teve sua identidade revelada. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, ainda não se pronunciou sobre a entrega do dossiê com nomes ligados ao movimento antifascistas aos Estados Unidos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial