Ascensão e queda: como Del Nero foi de cartola todo poderoso a banido pela Fifa

Marco Polo Del Nero já presidiu a Federação Paulista de Futebol com gestão polêmica. (Foto: Getty Images)
Nascido em São Paulo, no dia 22 de fevereiro de 1941, Marco Polo Del Nero é filho do meio-campista Del Nero, pentacampeão paulista pelo Palmeiras nos anos 1930 e 1940 e que chegou inclusive a jogar pela seleção brasileira. Marco Polo não seguiu a mesma carreira do pai, formando-se advogado na Universidade Presbiteriana Mackenzie, com especialização em direito penal.

Sua entrada para o mundo do futebol se deu no próprio Palmeiras onde seu pai foi ídolo. O primeiro cargo de Del Nero foi o de diretor da Comissão de Sindicância do clube do Palestra Itália. Depois, seria diretor jurídico e diretor de futebol, antes de tornar-se membro vitalício do Conselho alviverde.

Em 1985, ele entrou para o TJD, o Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de São Paulo, o que o levaria depois a tornar-se vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, durante a gestão de Eduardo José Farah, que ocupou a presidência da entidade por 15 anos: de 1988 a 2003.

Quando Farah finalmente deixou o cargo, Marco Polo foi eleito novo presidente da Federação Paulista, no dia 5 de agosto de 2003. Ele foi reeleito em 2010, e ficou no cargo até 2014.

Sua longa gestão foi marcada por inúmeras polêmicas, envolvendo principalmente o São Paulo. Um dos exemplos da péssima relação entre Del Nero e o clube foi o lançamento de um Manual da Federação no qual a equipe do Morumbi figurava como rebaixada na edição de 1990 do Paulistão. O fato revoltou os tricolores, que chegaram a romper com a Federação e não enviar representantes a eventos oficiais.

Outro episódio famoso aconteceu na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2008. Na ocasião, Del Nero denunciou à Comissão de Arbitragem da CBF que o árbitro Wagner Tardelli havia recebido ingressos para um show da cantora Madonna, que seria realizado no estádio do Morumbi. Segundo o cartola, os bilhetes haviam sido entregues ao juiz por uma secretária do São Paulo, o que inviabilizaria sua participação como árbitro no duelo contra o Goiás, na qual o Tricolor acabou conquistando o título.

No entanto, nada foi provado contra Wagner Tardelli, e Marco Polo acabou afastado da presidência da Federação Paulista por 90 dias pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, em 2009. Depois, entraria com recurso e acabaria absolvido por unanimidade, retomando seu cargo sem qualquer problema.

Apesar das polêmicas, Marco Polo sempre gozou de prestígio na CBF. Prova disso é que, em 2006, foi indicado para ser o Chefe da Delegação da seleção brasileira na Copa do Mundo da Alemanha.

Del Nero foi presidente da Federação Paulista até 2014, quando deixou o cargo e deu lugar a Reinaldo Carneiro Bastos, que ocupa a cadeira até hoje. Neste meio tempo, mostrou sua força nos bastidores ao assumir em 2012 a vaga de Ricardo Teixeira Comitê Executivo da Fifa, depois que o ex-presidente da CBF renunciou aos cargos que possuía em meio a investigações sobre corrupção.

Del Nero foi subindo degraus e chegou ao topo em 16 de abril de 2014, quando foi eleito novo presidente da CBF, assumindo o cargo em 16 de abril de 2015, ao final da gestão José Maria Marin.

Mesmo tendo que esperar um ano para tornar-se de fato chefe do futebol brasileiro, Marco Polo sempre foi a verdadeira cabeça por trás de tudo. Dirigentes que trabalharam na Confederação nos últimos anos apontaram diversas vezes o ex-presidente da Federação Paulista de Futebol como verdadeiro “dono das cartas” na CBF, enquanto Marin serviria apenas como uma figura decorativa.

Logo após sentar oficialmente na cadeira de presidente da Confederação Brasileira de Futebol, porém, Del Nero viu explodir o escândalo Fifagate, no final de maio de 2015, que terminou com diversos dirigentes importantes, inclusive seu antigo aliado José Maria Marin, presos em um hotel de luxo na Suíça.

Marin foi considerado culpado fazer parte de esquema de propinas em troca de contratos para companhias de mídia e marketing envolvidas com direitos de torneios de futebol, incluindo a Copa América, a Copa Libertadores e também a Copa do Brasil. Após passar um período em prisão domiciliar em seu apartamento em Nova York, ele hoje está detido em uma penitenciária, aguardando sua pena.

Como seu nome aparecia em diversos depoimentos dados pelos delatores do FBI, o serviço de investigação dos Estados Unidos que comandou a operação Fifagate, Marco Polo passou a ser também ser aguardado pela Justiça do Estados Unidos. Desde então, ele não deixa o território brasileiro, nem mesmo em viagens da seleção brasileira ou eventos da Fifa, já que pode ser preso se sair do país.

As investigações em cima das denúncias fizeram a Fifa banir o dirigente de todas as atividades relacionadas ao futebol em 15 de dezembro de 2017, por meio do Comitê de Ética da entidade.

Ele foi considerado culpado de violar os artigos 21 (aceitar suborno e corrupção), 20 (oferecer e aceitar presentes e outros benefícios), 19 (conflitos de interesse), 15 (lealdade) e 13 (regras gerais de conduta) do Código de Ética da Fifa.

Com isso, seu vice-presidente mais velho, Coronel Nunes, assumiu a CBF.

Nesta sexta-feira, dia 27 de abril de 2018, a Fifa tornou a punição definitiva, banindo Marco Polo Del Nero de qualquer atividade relacionada ao futebol pelo resto da vida, tanto no Brasil quanto no exterior. Além do banimento, ele foi multado em 1 milhão de francos suíços (R$ 3,51 milhões).

Mesmo enquanto estava suspenso, Marco Polo articulou as eleições para seu sucessor na CBF, que acabou sendo vencida por seu candidato, Rogério Caboclo, ex-diretor Executivo de Gestão da CBF.





*Por: ESPN

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