Presidente tem direito de estar indignado, mas Globo não atacou Bolsonaro e seguiu as regras do jornalismo profissional



O presidente Jair Bolsonaro tem todo o direito de reagir com indignação à reportagem desta terça-feira (29) do Jornal Nacional que mostra que seu nome foi envolvido nas investigações sobre a morte da vereadora Marielle Franco. Chegou a atacar e ofender a TV Globo. Mas, pela reação, até parece que ele não assistiu à reportagem, que segue uma série de procedimentos do bom jornalismo.

Bolsonaro diz que a reportagem levantou suspeições sobre seu nome, mas isso não aconteceu. A reportagem, por sinal, teve o cuidado de conferir o depoimento do porteiro, que chegou a afirmar que, ao ligar para a casa do presidente, teria ouvido uma voz que parecia ser dele. Em seu trabalho de reportagem, a Globo levantou contradições em relação ao que disse o porteiro, mostrando que naquele dia o presidente estava em Brasília.

Indo ponto a ponto, a reportagem mostra:

  1. De fato, está registrado no livro de visitantes do Condomínio Vivendas da Barra que Élcio Queiroz, um dos suspeitos do assassinato, afirmou que iria à casa número 58, que pertence a Jair Bolsonaro.
  2. Os depoimentos do porteiro, checados com várias fontes, existem. Bolsonaro diz que o porteiro pode ter se enganado, mas não nega a existência dos depoimentos.
  3. A Globo verificou por apuração própria que nessa data (14 de março), a Câmara dos Deputados registrou que Bolsonaro estava em Brasília. A Globo também verificou as votações, constatou a presença do então deputado no Congresso e isso está claro na reportagem.
  4. Também é verdade que o caso está no Supremo Tribunal Federal, porque a lei obriga que casos envolvendo o presidente da República precisam ser avaliados pelo STF.
  5. E o próprio Bolsonaro informou na Arábia Saudita, onde está em viagem, que o governador Wilson Witzel havia avisado três semanas atrás do depoimento do porteiro em que o atual presidente é citado.

Assim, qual é o erro da reportagem? O presidente tem o direito de ficar indignado, mas não aponta um erro na matéria. O que a Globo poderia fazer diante dessa apuração? Não publicar? Diante desses fatos? A Globo cumpriu seu dever de fazer jornalismo profissional.




*Por: Valdo Cruz

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