Greve geral na Argentina paralisa serviços no país e afeta voos no Brasil



A greve geral que começou à 0h desta segunda-feira (25) na Argentina afeta serviços como transportes, escolas, coleta de lixo e postos de gasolina no país e reflete nos voos que chegam e saem do Brasil.

É a 3ª greve geral contra a política econômica do governo de Mauricio Macri, que deve contar com uma forte adesão dos trabalhadores do transporte público. Para o governo, a paralisação é política.

Os organizadores do protesto calculam que pelo menos 1 milhão de trabalhadores devem aderir à greve, convocada pela peronista Confederação Geral do Trabalho (CGT), que agrupa os principais sindicatos da Argentina.

A greve causou efeitos para os passageiros de companhias aéreas do Brasil. A Latam e a Gol anunciaram o cancelamento de seus voos para Argentina. Pelo menos um voo da Latam que partiria voo de Brasília foi cancelado. Outros 4 voos que sairiam de Buenos Aires até Porto Alegre, ou que tinham como destino a capital argentina, foram cancelados nesta segunda-feira.

A Gol informou que todos os voos operados pela companhia de e para a Argentina nesta segunda-feira foram cancelados, e que foram criados novos voos para atender a demanda.

Os passageiros impactados poderão procurar a companhia para remarcar as viagens, sem a cobrança de taxas e de acordo com a disponibilidade. Ou ainda, solicitar reembolso ou crédito integral de suas passagens, pelos canais de atendimento: site (www.voegol.com.br), aplicativo ou pelo telefone da Central de Atendimento 0300 115 2121 e 0800 704 0465.

A LATAM Airlines informa que, em virtude da greve nacional anunciada para 25 de junho na Argentina, a companhia cancelou todos os voos domésticos e internacionais operados de e para os aeroportos daquele país.

Todos os passageiros que desejarem, podem optar por uma das seguintes alternativas:

  • Alterações de data / voo (mesma origem-destino): os passageiros que queiram alterar a data/voo sem multas ou diferenças tarifárias (pode ser ida e volta simultaneamente) podem fazê-lo para até 15 dias após a data original.
  • Mudança de rota: uma mudança de rota sem multas, sujeita às diferenças tarifárias aplicáveis.
  • Reembolso: solicitar o reembolso do bilhete não utilizado sem a cobrança de multas.

A companhia recomenda aos passageiros que compraram bilhetes para voar nesta segunda que reprogramem os seus voos antecipadamente. Neste link é possível acessar a reprogramação do voo. Ou ainda comunicar-se com a central de atendimento da Latam Airlines em 0810-9999-526 (na Argentina), para 4002-5700 (nas capitais brasileiras) ou 0300-570- 5700 (nas demais localidades do Brasil).

Aerolíneas Argentinas anunciou que também cancelou todos os seus voos. Os passageiros que desejem reembolso poderão pedir por meio do mesmo canal que utilizaram para a compra. Além disso, os passageiros que preferirem reprogramar seus voos, até dentro dos próximos 15 dias da greve, poderão fazê-lo sem restrições e de acordo com a disponibilidade de lugares.

A companhia sugere realizar as alterações/modificações após o dia 25, já que o atendimento ao cliente durante o dia da greve poderá ser afetado.

A Aerolineas Argentinas, solicita aos passageiros não comparecerem aos aeroportos durante o dia da greve. Em caso de dúvidas a central de atendimento é 0800-761-0254

Os metrobus das grandes cidades (carros especiais para o transporte público urbano) permanecem desertos desde meia-noite e circulam apenas táxis pelas ruas.

A circulação de caminhões é quase inexistente, de acordo com a agência Efe. Em Buenos Aires, também não funciona o trem de mercadorias que liga os setores do porto.

Os portos e aeroportos, as estações e linhas de ferrovia, as entidades bancárias, os escritórios, hospitais (exceto urgências) e escolas públicas, os serviços de coleta de lixo e postos de gasolina também serão afetados pela greve.

Convocação

O protesto, convocado pela CGT, ganhou o apoio da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) e da CTA-autônoma, uma das divisões da CTA.

Embora a convocação da CGT se limite a uma paralisação das atividades, sem manifestações, setores mais radicais anunciaram que pretendem bloquear os acessos à cidade de Buenos Aires com mobilizações.

Os sindicatos desejam o reinício das negociações de ajustes salariais deste ano, para um alinhamento com a projeção de inflação, calculada agora pelo Banco Central em 27%.

As negociações que aconteceram em sua maioria no início do ano utilizaram como referência a meta de inflação anual de 15%.

Para tentar retomar o diálogo com os sindicatos, o ministro do Trabalho, Jorge Triaca, afirmou desejar que as negociações salariais aconteçam livremente.

Esta greve geral na Argentina é a terceira em 15 meses contra o governo de Macri. As outras duas foram convocadas em 6 de abril e 18 de dezembro de 2017.

Crise econômica

Os sindicatos da Argentina se opõem ao acordo firmado pelo governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) devido ao agravamento da situação econômica do país.

"A greve é contra o programa econômico, para que se abandone esta linha de ajuste permanente. O FMI sempre trouxe penúrias aos argentinos", disse à AFP Juan Carlos Schmid, dirigente da CGT.

Para enfrentar uma corrida cambial que começou no fim de abril e que provocou uma desvalorização da moeda de quase 35% no decorrer do ano, o FMI concedeu à Argentina um crédito stand by de 50 bilhões de dólares, o maior já estabelecido por este organismo.

O crédito tem vigência de três anos e, em troca, a Argentina se compromete a reduzir a zero em 2020 seu déficit fiscal, que no ano passado foi de 3,9% do PIB.

Para isso é necessário interromper as obras públicas, reduzir o tamanho do Estado e limitar as transferências às províncias.

Como previsão, o acordo contém uma cláusula que permite ao Estado elevar o gasto em projetos sociais no caso de aumento da pobreza, que em 2017 atingiu 25%.

O desemprego chegou a 9,1% no primeiro trimestre do ano, contra 7,2% no último trimestre de 2017.




*Por: G1

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