17 fevereiro 2021

Cantor Belo é preso no Rio de Janeiro, polícia apreendeu duas pistolas, dinheiro em espécie e um computador na casa do artista

Belo é investigado por suposta associação ao tráfico, show clandestino do cantor teria sido bancado com dinheiro do tráfico, segundo investigações iniciais da polícia. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Um show no Parque União, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, com início na noite da última sexta-feira (12) e que só terminou na madrugada de sábado (13), e que contrariou as proibições impostas por causa da pandemia de COVID-19, gerando grande aglomeração de pessoas, levou o cantor Belo, para a cadeia, nesta quarta-feira (17).

O cantor é acusado pela DCOD (Delegacia de Combate às Drogas) de associar-se a Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga, chefe do tráfico no Parque União, no Complexo da Maré, para a realização de um show na comunidade na madrugada do sábado de Carnaval.

Na decisão que concedeu a prisão preventiva de Belo e de outros suspeitos, a juíza frisou que o objetivo da prisão é para 'evitar outros eventos desta natureza em plena pandemia'. A magistrada também autorizou buscas na sede da Série Gold Som e Iluminação, firma mantida pelos alvos da operação, além da suspensão das atividades da empresa e o bloqueio das contas pessoais de todos os envolvidos.

A Polícia Civil investiga, ainda, a invasão ao colégio, onde o show foi realizado, uma vez que o local não tinha autorização para a realização do evento. Segundo a polícia, duas pistolas, munição, dinheiro em espécie e um computador foram apreendidos na casa de Belo.

As armas são legalizadas e estão no nome do cantor, que tem posse de arma, ao todo foram apreendidos cerca de R$ 40 mil reais, sendo 3.500 euros, o equivalente a R$ 22,8 mil reais.

Em nota, a assessoria do cantor informou que o show foi feito seguindo todos os protocolos, mas que eles não têm o controle do geral. "As praias estão lotadas, transportes públicos, e só quem sofre as consequências são os artistas. Que foi o primeiro segmento a parar, e até agora não temos apoio de ninguém sobre a nossa retomada. Sustentamos mais de 50 famílias", disse.

Veja a íntegra da nota enviada pela assessoria de Belo:

“O cantor Belo, sua família e equipe estão surpresos e consternados com o mandado de prisão preventiva cumprido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 17, no âmbito da investigação sobre a apresentação do músico em evento no último sábado, 13, no Complexo da Maré, Zona Norte da capital fluminense. O show foi legalmente contratado pela produtora Série Gold, conforme comprovam notas fiscais e outros documentos já entregues às autoridades.

O espanto se dá em razão da prisão ter ocorrido mesmo após parecer contrário do Ministério Público (MP) e também da falta de isonomia quando se trata de apresentações artísticas durante a pandemia da Covid-19, pela qual Belo teve a saúde acometida há três meses e a agenda cancelada integralmente há um ano.

Ciente da gravidade da crise sanitária, Belo pede desculpas por ter se apresentado em uma aglomeração. O cantor retomou há pouco uma agenda parcial de shows, com compromissos ainda insuficientes para reverter o prejuízo dos meses em que esteve impedido de trabalhar, enquanto indústria, comércio e outras atividades de lazer — inclusive as casas de show — voltaram a funcionar, ainda que com restrições. Como qualquer brasileiro, Belo é um cidadão com contas a pagar por meio de sua atividade profissional e sempre o fará sem distinções, principalmente de classe social.

Completa o estado de choque do cantor o fato de que o evento de sábado não foi o primeiro e nem será o último em que aglomerações fugiram do controle dos organizadores. No entanto, chamou atenção das autoridades, de maneira mais expressiva, justamente um episódio na Maré, uma das maiores favelas cariocas, onde eventos culturais já são comumente reprimidos pela ideia de que os moradores de comunidades não merecem vivenciar a arte da mesma maneira do que aqueles que residem em áreas mais ricas da cidade. Ecoando o questionamento feito ao longo do dia nas redes sociais, a equipe de Belo também se pergunta se a situação seria a mesma caso o show ocorresse em bairros da Zona Sul e com artistas de gêneros musicais menos negligenciados do que o pagode. Um exemplo dessa distinção é o fato de não haver registro de prisões na interdição de um baile de carnaval realizado na mesma data, na Lagoa.

Em seu show, Belo buscou, como feito em todos os trabalhos da carreira, a proteção de seu staff, dentro das escolhas que lhe cabiam. Os cuidados com o público eram de responsabilidade do contratante, bem como a escolha do local em que a apresentação ocorreu. Não havia conhecimento prévio, por parte do músico, de que o local em questão era a escola municipal Ciep 326. Pai de quatro filhos que estão ou já estiveram em idade escolar, Belo respeita a educação, principalmente a que acolhe crianças da periferia e não compactua com qualquer situação em que seja invadida e desrespeitada uma instituição de ensino.

No mais, Belo e equipe informam que irão buscar reverter a prisão judicialmente, bem como comprovar, com o cantor em liberdade, sua inocência em relação ao caso”.

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