Marcos Goto nega omissão em escândalo de abuso na ginástica

Marcos Goto ficou reconhecido nacionalmente ao treinar o campeão olímpico Arthur Zanetti. (Foto: Getty Images)
O treinador Marcos Goto, atual coordenador técnico da seleção brasileira de ginástica, se pronunciou nesta terça-feira, dois dias depois de ter seu nome envolvido no escândalo de abuso sexual na modalidade, denunciado no domingo pelo programa Fantástico da TV Globo. Goto negou omissão e disse que sabia apenas de “boatos” sobre possíveis abusos cometidos por Fernando de Carvalho Lopes, que foi seu colega na seleção.

Goto, que ganhou notoriedade como treinador do campeão olímpico Arthur Zanetti, divulgou uma nota oficial na qual trata como “leviano” o tom da reportagem. Alguns atletas afirmaram ao Fantástico que Goto fazia piadas sobre os casos de abuso e foi omisso em relação a Fernando de Carvalho Lopes. Goto, que assumiu a coordenação em 2017, quando o ex-colega já estava suspenso, disse que sabia apenas de “boatos” e que as brincadeiras eram feitas inclusive pelos próprios atletas.

“Os fatos eram tratados como boatos e podem ter gerado algum tipo de gracejo na época por muitos envolvidos na ginástica, inclusive entre os próprios atletas oriundos de São Bernardo do Campo, acolhidos por mim em São Caetano do Sul. Tanto parecia boataria que alguns atletas, alguns inclusive ouvidos na matéria, retornaram a treinar em São Bernardo com o mesmo treinador aqui dito”, diz Goto em um dos trechos.

Goto afirmou ainda que jamais conversou com Fernando de Carvalho Lopes sobre as denúncias. “Eu e o referido treinador fazíamos parte da seleção brasileira na mesma função entre os anos de 2014 e 2016, não tento como atribuição a gestão de pessoas e sim a preparação do meu atleta para os Jogos Olímpicos. Essa função é dos superiores hierárquicos e da própria instituição verificar os antecedentes dos seus contratados.”

A Confederação Brasileira de Ginástica convocará Marcos Goto para ouvi-lo sobre o episódio. Em entrevista à Rede Globo nesta terça, Arthur Zanetti disse que jamais foi vítima de abuso sexual e que também sabia apenas de rumores. “Nunca ninguém chegou para mim e contou sobre isso, nunca chegou a meus ouvidos”, disse o campeão em Londres-2012 e vice na Rio-2016.

Oclube Mesc, de São Bernardo do Campo, afastou Fernando de Carvalho Lopes na última segunda-feira. Mais de 40 atletas e ex-atletas dizem ter sido abusados ou que sabiam dos abusos físico, moral ou sexual cometidos pelo treinador durante vários anos em treinos, testes físicos e ainda em viagens com vários atletas. 

Confira, abaixo, a nota completa divulgada por Marcos Goto:

Sou o treinador mais vitorioso do Brasil, conhecido pela minha rigidez, profissionalismo e disciplina em busca dos melhores resultados para o meu país, fazendo o trabalho de desenvolvimento da modalidade em todas as categorias desde 1990 conduzindo milhares de crianças e adolescentes sem nenhuma intercorrência negativa nesse período. Os fatos narrados nessa matéria, que ocorreram há mais ou menos 12 anos, como foi dito por vários declarantes, os fatos eram tratados como boatos e podem ter gerado algum tipo de gracejo na época por muitos envolvidos na ginástica, inclusive entre os próprios atletas oriundos de São Bernardo do Campo, acolhidos por mim em São Caetano do Sul. Tanto parecia boataria que alguns atletas, alguns inclusive ouvidos na matéria, retornaram a treinar em São Bernardo com o mesmo treinador aqui dito. Eu e o referido treinador fazíamos parte da seleção brasileira na mesma função entre os anos de 2014 e 2016, não tento como atribuição a gestão de pessoas e sim a preparação do meu atleta para os Jogos Olímpicos. Essa função é dos superiores hierárquicos e da própria instituição verificar os antecedentes dos seus contratados. Sobre a nota emitida pela CBG, serve esta declaração como a única que darei sobre esses fatos, visto que na época não prestava serviço a mesma, sendo única e exclusivamente um treinador do meu clube, assumindo a coordenação técnica das seleções brasileiras em 2017. Acho leviano o tom da matéria em relação à minha pessoa, onde o principal foco foi esquecido e os verdadeiros responsáveis e omissos estão acobertados. Para finalizar, sou totalmente contrário a qualquer vítima de assédio, discriminação e intolerância, inclusive, assim que fui nomeado coordenador da seleção brasileira em 2017, iniciamos juntamente com o Comitê Olímpico e a CBG o primeiro código de ética na ginástica tendo como principal finalidade proteger e orientar os atletas. Também organizamos o primeiro seminário da ginástica no país, onde discutimos vários temas inerentes à modalidade, inclusive assédio. Neste seminário estavam os principais treinadores e coordenadores dos clubes do Brasil. Obrigado.”





*Por: Luiz Felipe Castro da Veja.com

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