O que disse Jair Bolsonaro na entrevista ao 'Roda Viva' da TV Cultura

Jair Bolsonaro foi o último candidato à Presidência da República à participar do 'Roda Viva' na TV Cultura. (Foto: Reprodução/YouTube)
O deputado federal e candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), foi o décimo e último candidato à sentar no centro do 'Roda Viva', da TV Cultura, para a sabatina dos jornalistas convidados na noite de ontem (30).

Bolsonaro teve 1h20 minutos para responder os questionamentos dos jornalistas e assim apresentar seus projetos de governo, caso eleito presidente do Brasil, nas eleições de outubro. O candidato se mostrou nervoso, atacou a todo tempo jornalistas e principalmente os veículos Globo e revista Veja, defendeu ideais como a extinção de cotas para negros em concursos e universidades, exaltou o período militar, afirmando inclusive que não houve golpe militar em 1964 e atacou seus adversários, principalmente do PT, Geraldo Alckmin (PSDB) e do PSOL.

Abaixo separamos temas como corrupção, proximidade com o deputado federal cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB), reforma da previdência e economia, política de cotas e racismo, ditadura no Brasil, armamento e maioridade penal, xenofobia e mortalidade infantil.

Ao final, disponibilizaremos a íntegra da entrevista publicada no canal oficial do 'Roda Viva' no YouTube, para que você possa acompanhar caso não tenha visto a entrevista.

Confira os destaques:

Reforma da Previdência e economia

"Nós queremos apresentar uma proposta que vai ter chance de ser aprovada", disse. Para ele, dá para apresentar uma reforma, "não necessariamente essa que está aí". No comando dessas operações está Paulo Guedes, a quem Bolsonaro fara ministro da área econômica, caso eleito presidente.

O candidato negou choque ideológico com Guedes, por ele ter fama de estatizante e Guedes por ser liberal. Questionado se acontecer uma eventual briga com aquele que ele aponta ser seu ministro, Bolsonaro foi rápido na resposta, "não tenho um plano B".

Bolsonaro disse que é difícil ser patrão no Brasil, que o governo atrapalha o empreendedor e o trabalhador com a burocracia e fiscalização, em aceno ao mercado.

Política de cotas e racismo

Bolsonaro foi firme contra a política de cotas. "Porque essa política de dividir o Brasil? De dividir entre brancos e negros", questionou. "Mas que dívida? Eu nunca escravizei ninguém?", questionou ao ser perguntado sobre uma dívida histórica do Brasil com os negros.

Na sequência, Bolsonaro afirmou. "Imagina o coração dos brancos como ficam, de tirar nota boa e não passar".

Sobre sua fala sobre quilombolas que o fez ser denunciado por racismo, o candidato afirmou. "Não vi maldade nisso. (...) O racismo é você impedir um afrodescendente de fazer alguma coisa. É não promover um negro porque ele é negro."

Para Bolsonaro, ofensa não é racismo. "Isso não é racismo. Isso que a Raquel Dodge entregou não é racismo, foi na brincadeira. Se você ver meu semblante, foi na brincadeira. Pode ser uma brincadeira infeliz? Pode, mas isso não é racismo".

Mortalidade infantil

Sobre mortalidade infantil, Bolsonaro afirmou, entre outros, que muitas gestantes "não dão bola para saúde bucal" e que muitos bebês que morrem são prematuros.

Ditadura

Em um dos ataques à esquerda, Bolsonaro questionou se a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) lutou por democracia. Negou que abrirá os arquivos da ditadura e afirmou que essa é uma ferida que precisa ser cicatrizada. "Esquece isso aí, é daqui para frente", minimizou.

"Não houve golpe militar em 1964. Quem declarou vago o cargo do presidente na época foi o Parlamento. Era a regra em vigor," disse o candidato sobre uma das páginas mais nefastas da história brasileira, onde muitas pessoas foram perseguidas, torturadas e mortas pelo governo militar.

Xenofobia

Sobre refugiados, Bolsonaro se espelha no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à quem rasga elogios e se diz fã, negou xenofobia. "Porque nossa casa é o Brasil e qualquer um deve poder entrar? Isso não é xenofobia, é cuidar do seu País, da sua casa e ponto final."

Voto impresso e eleições sob suspeita

Bolsonaro colocou o sistema eleitoral brasileiro em xeque. Defensor do voto impresso, o candidato lamentou o parecer contrário apresentado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, sobre o tema no Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro disse não ter como confiar nas urnas eletrônicas e que em uma eventual derrota não será reconhecida por ele.

Em seu sétimo mandato como deputado federal, Bolsonaro respondeu sobre participar de um processo eleitoral que ele não considera legítimo, atacando seus adversários. "Qual outro caminho eu tenho? Entregar para o PT ou PSDB. Vou estar na luta de qualquer maneira. (...) A aceitação é enorme quanto ao meu nome, o povo está vendo em mim confiança".

Armamento e maioridade penal

Ferrenho defensor de armar a população, Bolsonaro disparou. "Que guerra é essa que só um lado pode atirar?" Seu questionamento foi um ensaio para defender carta branca aos policiais para poderem matar. "Você não vai matar? Deixa ele atirar em você e você dá uma florzinha para ele", disse, em tom irônico.

"Quem não quiser ter arma que não tenha, eu defendo a legítima defesa," afirmou o candidato que armado armado sempre que pode e que de vez em quando usa colete à prova de bala.

Favorável à redução da maioridade penal, Bolsonaro disse que os jovens com idade entre 16 e 17 anos que cometem algum crime ficam "três anos de férias" nas instituições de reabilitação.

Confira a íntegra da entrevista abaixo:

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