Em editorial, Grupo Globo afirma que Bolsonaro busca uma imprensa que o bajule e notícias como ele quer que sejam

Em editorial, Grupo Globo defende seus profissionais de ataques do presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Divulgação)
O Grupo Globo, publicou editorial nesta terça-feira (5) em respostas aos ataques proferidos pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) contra as empresas que integram o grupo e seus profissionais do jornalismo.

No editorial "O lugar de cada um - O Grupo Globo, seus jornalistas e o presidente Bolsonaro", o grupo inicia lembrando que não é novidade que o presidente não tem apreço pela imprensa independente e profissional, isso aconteceu durante a campanha de 2018 e desde o primeiro dia em que Bolsonaro chegou ao cargo de presidente da República.

Para o Grupo Globo, Bolsonaro diz defender uma imprensa livre, mas que suas palavras e atos comprovam que o presidente quer apenas "uma imprensa que o bajule e que não busque noticiar os fatos como eles são, mas como ele gostaria que fossem".

O editorial afirma ainda, que a essa altura, o presidente já sabe que jamais terá essa bajulação daqueles que praticam com zelo o jornalismo profissional e que certamente não terá isso dos veículos sob responsabilidade do Grupo Globo, assim como seus antecessores não tiveram e seus sucessores não terão. A motivação segundo o editorial, se baseia em três pilares básicos do jornalismo profissional isenção, correção e agilidade.

O Grupo Globo lembra o presidente, que só existe jornalismo profissional e independente em democracias e que as sociedades sob o império das leis, mas sem donos, fazendo com que "ninguém controla o fluxo dos fatos, o que publicar e o que não publicar, o que é conveniente e o que não é conveniente, o que agrada e o que desagrada". Com isso, o Grupo Globo defendeu o livre fluxo de informação e com ambientes assim, "sobrevivem aqueles que informam com qualidade, acertam bem mais do que erram (e quando erram reconhecem seus erros) e provam ao público que aquilo que noticiam são fatos".

Em defesa dos seus profissionais, o Grupo Globo afirmou que obteve o respeito do público ao longo dos seus 94 anos de existência, porque buscou se cercar dos melhores talentos e dos mais competentes jornalistas. A empresa afirma que seus profissionais estão comprometidos com a verdade, que são íntegros e honestos, e que se dedicam, com grande esforço pessoal, hora após hora, dia após dia, semana após semana, ano após ano, a dar o melhor de si em busca da informação de qualidade.

O Grupo Globo afirma que chamar esses profissionais de patifes, canalhas e porcos, como fez o presidente da República, não diz nada deles, mas "muito dos valores de quem profere insultos tão indignos". O grupo defendeu com veemência o repúdio das palavras do presidente contra seus profissionais e tal ataque deve ser denunciado não como do chefe máximo da nação, mas como "de um homem que, hoje não se tem mais ilusões, não comunga dos valores democráticos mais básicos".

Ao prosseguir, o editorial afirma que não esperem do Grupo Globo reações do mesmo nível demonstrado pelo presidente, porém, espere-se mais jornalismo por parte do grupo. Além disso, espere-se a busca pela verdade, "de forma destemida, que retrate os fatos como eles são, positivos ou negativos, inclusive sobre o governo. E que denuncie qualquer tentativa de cercear as liberdades de nossa democracia".

Ao encerrar o editorial, o Grupo Globo afirma que se orgulha dos seus 94 anos de história e do seu lugar na história, com obras de gerações de jornalistas que passaram pelo grupo e que o tempo dirá o lugar reservado ao presidente Jair Bolsonaro.

Leia abaixo o editorial do Grupo Globo na íntegra:

O lugar de cada um
O Grupo Globo, seus jornalistas e o presidente Bolsonaro

Não é novidade. O presidente Jair Bolsonaro não tem apreço pela imprensa independente e profissional. Não tinha durante a campanha e continuou sem ter desde o primeiro dia no cargo. Ele diz que defende uma imprensa livre, mas suas palavras e atos comprovam que ele quer apenas uma imprensa que o bajule e que não busque noticiar os fatos como eles são, mas como ele gostaria que fossem. A essa altura, ele já sabe que jamais terá isso daqueles que praticam com zelo o jornalismo profissional. Certamente não terá isso dos veículos do Grupo Globo. Seus antecessores não tiveram, seus sucessores não terão.

E o motivo é simples. O jornalismo profissional está calcado em três pilares: isenção, correção e agilidade. Isenção significa ser independente de governos, partidos políticos, igrejas, grupos econômicos e lobbies. Ser correto significa apurar os fatos de tal modo que eles condigam no maior grau possível com a realidade dos fatos. Ser ágil significa informar com rapidez porque a informação jornalística, por definição, sendo uma primeira aproximação com a verdade, só tem valor se for tornada pública em tempo razoável. Sem esses pilares, não há jornalismo, não há veículos com credibilidade, não há público que se interesse por eles.

Não é sem razão que só exista jornalismo profissional e independente em democracias. Em sociedades sob o império das leis, mas sem dono, ninguém controla o fluxo dos fatos, o que publicar e o que não publicar, o que é conveniente e o que não é conveniente, o que agrada e o que desagrada. O fluxo de informação é livre, absolutamente livre. Em ambientes assim, sobrevivem aqueles que informam com qualidade, acertam bem mais do que erram (e quando erram reconhecem seus erros) e provam ao público que aquilo que noticiam são fatos. O Grupo Globo existe desde 1925 na mídia impressa, desde 1944 no rádio, desde 1965 na televisão (e nenhuma concessão recebida de militares, presidente), desde 1991 na TV por assinatura e desde 1995, na internet. E em cada uma dessas mídias, é líder de audiência e conta com o respeito e a credibilidade do público. Nenhum veículo jornalístico tem um desempenho desses se não for por mérito. O público, que é o mesmo que vota, sabe julgar. E o Grupo Globo fará de tudo para que continue a merecer a confiança e o respaldo do público. Sempre.

Ao longo desses 94 anos, o Grupo Globo obteve o respeito do público porque sempre se cercou dos melhores talentos, dos mais competentes jornalistas. Profissionais comprometidos com a verdade, íntegros, honestos, que se dedicam, com grande esforço pessoal, hora após hora, dia após dia, semana após semana, ano após ano, a dar o melhor de si em busca da informação de qualidade. A notícia não tem hora, costuma-se dizer nas redações. Muitas vezes, o dever profissional se impõe ao lazer, aos filhos, aos amigos, à família. Tudo na crença de que uma sociedade bem informada vive melhor, decide melhor, constrói um futuro melhor. Não há sociedade que caminhe para o bem-estar sem informação de qualidade, e quem a provê com método são os jornalistas. No Grupo Globo são os jornalistas de todas as redações, de todos os veículos que o compõem.

Chamá-los de patifes, canalhas e porcos não diz nada deles, mas muito dos valores de quem profere insultos tão indignos. É preciso repudiar tal atitude do presidente da forma mais veemente possível e denunciá-la como a de um homem que, hoje não se tem mais ilusões, não comunga dos valores democráticos mais básicos. Não se esperem, contudo, reações no mesmo nível. Espere-se mais jornalismo. Espere-se a busca pela verdade, de forma destemida, que retrate os fatos como eles são, positivos ou negativos, inclusive sobre o governo. E que denuncie qualquer tentativa de cercear as liberdades de nossa democracia.

São 94 anos, repita-se. Atos e palavras são o que definem o lugar de homens e instituições na História. O Grupo Globo tem orgulho do seu lugar, obra de gerações de jornalistas que passaram por ele. O tempo dirá o lugar que o presidente reservará para si.

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